quarta-feira, 3 de julho de 2024

Se perceber vivendo por coisas que te dão vontade de morrer.

Hoje foi um dia caótico. Torci pelo fim o tempo todo.

E essa hora que não passa? Eu quero ir pra casa. 

A cada hora uma novidade desconfortável, um estresse dentro da curva, conforme esperado.

Se não é incomum, por que sigo frustrada e estressada? Por que não apenas se acostumar de forma madura à rotina fruto das minhas escolhas? 

Por que passar o dia inteiro esperando pelo passar das horas? Eu odiei perceber isso hoje. Como fiquei impaciente pelo fim... E quando ele enfim chegou, eu só... Me senti mal? Não. Me senti terrível! 

Me vi o hamster correndo dentro da rodinha dentro da gaiola. Meu Deus, como posso ter desejado o dia todo que 12 horas do meu tempo passassem que eu nem percebesse? 12h da minha vida. Que não voltarão mais.

Concordo que pensamos sempre o mesmo de momentos tristes... Vontade de fugir e acabar.

Mas devia ser normal pensar isso sempre nas 12h de trabalho? Torcer para acabar, torcer como se você não estivesse ali e quisesse apenas fugir. Mas você está ali. É parte de sua vida, parte de quem você é. Não posso encarar como se fosse uma pausa em minha existência, pois o meu ser está sim condicionado a gastar tempo fazendo religiosamente essas coisas que me tiram do sério e fazem querer desligar do mundo carnal.

Não, a sério... Que vida merda é essa em que poucos são os momentos de felicidade? Melhor dizendo, em que poucos são os momentos em que me sinto viva? Em que me quero viva, e não constantemente em fuga? Sentir coisas ruins faz parte da vida, eu sei como ninguém. O problema é a balança. O problema são os pesos desbalanceados. 

Trabalhar não devia tirar sua vontade de viver... Deveria?

Estou sendo inocente. Todo trabalho é apenas uma forma de não passarmos fome e sermos capazes de nos sustentar dentro de um sistema injusto no qual muitos vão continuar apenas tentando, mas vão morrer sem ter experimentado uma vida confortável e feliz. 

Eu não posso culpar exclusivamente meu ofício e suas agruras por tudo que sinto. Eu sei que não. Eu só queria entender por quê de repente esse click dentro de mim ao perceber como estou me arrastando pra morte nessa marcha lenta mas às vezes tão ligeira. Me sinto tão próxima de morrer como se não fosse possível retroceder do ponto em que cheguei. Como se fosse possível até saber que esse ponto chegou.

Eu tenho odiado tanto escrever sobre as mesmas coisas. Como se eu estivesse empacada no mesmo ponto há tempos. 

Mas, espera. Eu percebi uma coisa. 

Percebi os tons fatalistas de uma canção favorita que eu só considerava melancólica.

Ah, merda, a mulher parece agora que vai se matar se alguém não lhe der um bom motivo para viver. O poço dela secou, ela diz. Não há mais alegrias ou motivações, ela não sente mais nada, e essa é sua última música. A menos que alguém possa fazê-la mudar de ideia.

Nunca mais vou ouvir e cantar do mesmo jeito.



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sou sensível.