Lá fora chove de novo. Perdi as contas de quantas chuvas pausadas e extensas tivemos esses dias. Não pega ninguém de surpresa, a considerar o mês e a época do ano. Recentemente houveram tragédias ambientais em outro estado, as quais nos lembram que não estão longe de nos alcançar, bem aqui. Os sinais são inegáveis, esse planeta não tem mais estrutura - em verdade, nunca a teve - para sustentar o atual sistema econômico. Por que estou falando sobre isso agora? Eu só queria falar sobre a melancolia que me acomete nesses dias chuvosos em que preciso ficar confinada em casa. Uma raridade, ultimamente, já que há sempre o que fazer/resolver nas ruas.
Eu estou doente. Isso por si só deveria justificar meu azedume. Uma das coisas que detesto em ficar enferma é que, não importa em qual nível, me sinto vulnerável. Todas as faltas e dores emocionais parecem querer me visitar ao mesmo tempo, apesar de eu não lembrar de ter feito esse convite! Tampouco fechei a porta. Meu mal é esse, não saber como trancar ferrolhos e jogar a chave fora. Tento me encher de coisas que possam me agraciar um futuro próximo, por exemplo, adiantar meus estudos tão morosos. Focar em algo que possa ser útil, ao invés de piorar a dor de cabeça e as dores que não posso curar. Apenas tento. E falho, como em boa parte de minhas tentativas.
As pessoas gostam de dizer que minha cidade é "bipolar". Hora faz sol, hora chove. Até mesmo em épocas "previsíveis", a chuva parece querer se mostrar, nem que seja por uns minutos, e do mesmo jeito fugaz que chega, se vai. Se Recife fosse uma pessoa, eu e ela teríamos muito o que conversar sobre explosões em água que parecem ser inesperadas (mas no fundo há razões ignoradas em detrimento de piadas ou poesia, depende do dia, no meu caso). Infelizmente a dela passa a ser um transtorno geral, a todos que nela moram e transitam. Felizmente minhas lágrimas não podem inundar ruas ou gerar deslizamentos. Todo inconveniente e toda tragédia ficam limitados a meu universo particular.
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pega leve.
sou sensível.