sábado, 22 de setembro de 2018

Me dei conta de que essa será a primeira postagem de 2018. Não é o meu primeiro texto, muito menos a primeira tentativa, porém é a primeira vez em que eu consegui concluir e de alguma maneira achar útil a exposição. Esse ano, sem dúvidas, tem sido um dos mais marcantes de minha vida. Mesmo correndo o risco de parecer clichê, devo reconhecer que isso se deve a  novos amores e dores. Sem paciência pra falar em códigos, porém sem coragem de me abrir de forma crua. O que fazer?

Fiz uma viagem entre os meus posts antigos desde mesmo blog. Ele tem 9 anos, ainda uma criança. Quando o criei eu era uma colegial, estava em meu último ano da escola, cheia de sonhos e anseios pela vida de caloura na faculdade. Eu tinha algumas ideias tão diferentes sobre as coisas... Faculdade, vida, amor, fé. Muito da essência ficou, porém eu aprendi a lidar com múltiplos formatos, e isso se ocorreu num processo nem sempre amigável. 

Eu fiz registros aqui sobre meus primeiros amores, meus questionamentos e experiências de fé, justiça social, expus indignações com a rotina, com o verbo amar, com a forma de as pessoas verem o mundo. Ainda sou insatisfatoriamente revoltada. Ainda não tenho muitas respostas. Porém não abro mão das certezas que colhi no caminho, elas são parte de meu processo de autoconstrução. Elas são parte de mim. 

Após tal retrospectiva de textos, fica o saudosismo e a melancolia de sempre. Esta segunda, uma das principais causas de minha escrita e da criação desse blog. Saudades de quando eu tinha meus 16 anos... Se o meu eu de hoje encontrasse esse eu do passado, tenho certeza de que eu o faria desistir de algumas coisas e tentar outras. Porém sempre me pergunto: eu seria quem sou, eu saberia do que eu sei, se eu percorresse outros caminhos? Essa resposta eu nunca terei. Provavelmente essa minha ânsia de querer mudar algo no passado vem dessa insatisfação com o presente. Às vezes eu não consigo ter orgulho de quem me tornei, e a autoestima torna-se uma barreira muito grande. Então eu prefiro lembrar do que foi ruim, do que foi pior, e tentar me ver pela lupa do otimismo, ao menos por um momento, e assim conseguir alcançar a gratidão esperada pelo presente. 

Eu não vim aqui uma vez sequer pra contar a história de amor mais importante da minha vida. Fiquei com um sentimento estranho de "ingratidão", pois os outros amores que tive tiveram bastante espaço literário, e eles não têm nem metade da significância desta última. Será que eu estive sendo ingrata por não ter vindo aqui, em meu "santuário", narrar essa parte de minha vida? Porém, pra ser justa, não poderia ser tão diferente. Não se eu considerar todo o contexto, todas as partes envolvidas, toda a novidade, medo, todas as coisas que estavam em questão. Hoje, após meses do fim dessa história, eu ainda não confio o bastante em mim pra fazer uma análise justa dos acontecimentos. Ainda estou envolvida. Ainda tenho intensidades sobre o meu ex amor. Mas eu quero registrar aqui também, quando eu me sentir pronta, quando eu não mais chorar por lembranças, partes de tudo que eu vivi e aprendi. A escrita sempre fez parte de meus processos de cura, não posso negar. Ainda não estou pronta, mas, em breve, eu espero, eu virei aqui.

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