Eu deveria ter aproveitado o sentimento pós sessão de ontem para escrever um texto bom/otimista, porém não menos realista sobre mim. Mas, infelizmente, quando a inspiração resolveu flertar comigo, eu não tinha um papel ao meu alcance e acabei perdendo o ímpeto e a vontade singular que eu estava experimentando naquele momento.
Foi a primeira vez que saí do consultório com uma sensação de "leveza". Pela primeira vez eu não somente desabafei sobre meus problemas e preocupações, alguma coisa pequena, muito pequena mesmo, dentro de mim sorriu e disse que poderia haver uma mudança significativa em mim. Mas já é alguma coisa.
Eu e a psicóloga conversávamos sobre a minha autoestima. Era eu quem falava, na verdade, ela somente fazia observações esporadicamente e me estimulava a concluir o raciocínio que eu queria abandonar em certo momento. Essa vontade sempre aparece, quando eu tento externar minhas viagens mentais, parece que eu não consigo expor facilmente e na rapidez exigida. Mas venho melhorando. A minha mente não pára, ela está sempre pensando até no que não deveria. Às vezes me fazendo crer em coisas que não existem e me iludindo com questões que poderiam ser, mas não são. Mas vamos deixar esses mecanismos para um outro texto, hoje quero falar sobre aquela sessão na qual, num momento não tão raro de lucidez mental, eu me senti bem.
De repente eu me vi falando sobre a pessoa que eu tenho o potencial de ser. Aquela pessoa que às vezes se manifesta em pequenas coisas, mas que na maioria das vezes encontra-se trancafiada por meus medos e paranoias. A questão é que eu poderia ser uma pessoa fantástica. E o pior (ou melhor) é que hoje em dia eu consigo enxergar fragmentos dessa pessoa em mim. Então sim, talvez no fundo eu seja muito melhor do que penso. Talvez as pessoas estejam certas ou eu esteja cansada demais de tentar convencê-las do oposto. Talvez eu mesma esteja cansada de ver somente o oposto em mim.
Então eu externalizei um pouco do meu pensamento:
"Eu sinto que eu poderia ser uma pessoa fantástica"
E ela sorriu, me encorajando a continuar: "Como seria uma pessoa fantástica?"
Me obriguei a pensar nisso. Me vi destrinchando um tipo "ideal" de pessoa fantástica. Ela me interrompeu:
"Como você se vê sendo fantástica? Como seria a Andreza fantástica?"
"Seria alguém que aceita seus defeitos, enxerga suas qualidades e sabe que a sua opinião sobre si mesma é mais importante que a dos outros. Alguém que, antes de tudo, se basta."
Ou algo assim. Essa é uma das certezas mais inabaláveis que tenho, são esses os principais obstáculos a superar. Mas, de alguma forma, acendeu uma luz, mesmo que pequena, de que, em essência, eu sou uma pessoa fantástica. Ainda não é o suficiente, eu ainda reflito somente fragmentos do que poderia ser uma totalidade, mas saber que eu possuo o potencial, ter enfim essa consciência, me dá um alívio que não sei explicar. A luz é fraca, mas já é grande coisa para a minha escuridão.
Comentei com a psicóloga. Ela sorriu e disse que concordava comigo. Eu queria mesmo era que ela me desse uma indicação, uma fórmula para achar o caminho, como sempre. E, como sempre, isso não funciona dessa forma. Mas até lá eu espero que eu me apaixone de verdade por mim. E consiga me situar. A pessoa fantástica idealizada por mim não é tão diferente do que sou, ela sou eu mais vezes, ela sou eu sem amarras. Uma versão mais leve e verdadeira da pessoa que eu já sou.
Já não sei mais se faz sentido o que estou argumentando, nem sei se me importo também. A única coisa que sei é que hoje eu consigo enxergar que eu ainda não cheguei onde queria, mas já sou melhor do que fui um dia. E eu sinto se aproximar o dia em que eu sentirei muito orgulho de mim.
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pega leve.
sou sensível.