quarta-feira, 19 de março de 2014

Existir não basta

Passei tanto tempo querendo escrever algo, pensando, analisando e revendo análises sobre o porquê de eu não estar conseguindo mais parar e pôr a bagunça em ordem, e o que eu tenho pra dizer é somente isso. Existir não basta. Respirar não basta. Querer corresponder expectativas não faz sentido... E não traz felicidade. O de sempre, sabe? Nada novo, nada extraordinário... Apenas as fechaduras de sempre. Eu queria ser uma porta aberta, uma janela por onde uma brisa passe livremente, eu queria parar de escrever "eu queria", como se sempre estivesse faltando um pedaço meu... Como se nada e nenhum momento pudesse satisfazer esse "nada" que sinto.
Corte de cabelo, cor da unha, roupa nova... Qualquer mudança exterior não é capaz de fazer esquecer as agonias interiores, muito menos tratá-las. Me pergunto se cada avanço o é de fato ou se são apenas pequenos desvios nos quais estou acostumada a me apoiar. Pensar muito chega a doer... Mas não há escapatória. A carcaça sempre muda, mas meu eu interior está firme e forte como uma rocha... De vez em quando ele ameaça descascar, por conta de um ou outro acontecimento do mundo exterior, porém sua composição continua sendo admiravelmente forte, pro meu azar. Como eu queria que as coisas mudassem... E eu deixasse de apenas existir. E tentar agradar a terceiros, e fingir que sou meiga, boa, santa ou perversa, má e indiferente. De quantas facetas sou feita? Quantas máscaras eu preciso retirar pra ser feliz? Por que não posso me considerar feliz, se todos também têm seus problemas e baixos? Por que eu não paro de me tirar pelos outros? Que poder sobrenatural é esse que os outros têm sobre mim que eu não consigo me livrar? Por que não consigo simplesmente fazer o que julgo certo sem me indignar com quem faz o errado? Por que são poucas as pessoas que conseguem presenciar meu riso frouxo? Por que eu não consigo parar de pensar em meu desempenho e, pior, estar sempre insatisfeita? Alguém me convença de que eu preciso me dar crédito, tolerância e uma alma mais leve e aberta às boas coisas.
Sinto dores de cabeça e de alma fortíssimas se aproximando. Assim fica difícil permanecer com aquela coisa de metades e copos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

pega leve.
sou sensível.