Você pede todos os dias para que Deus te livre do mal... Pensa em fome, miséria, fraqueza, doença, tristeza, problemas e outras pragas, mas nunca leva em consideração que pessoas te fazem mal, a toda hora. Que há gente que consegue ser mais maldade que luz, mais desespero que solução, mais agressividade que paz, e muitas vezes de uma maneira sutil, em sua vida.
Você se incomoda ao perceber que precisa cortar relações para o seu próprio bem, que precisa manter distância para a sua própria saúde emocional... Porque não parece certo. Parece errado romper. Soa como abandonar, jogar, esquecer. Quando não conseguimos uma real mudança de dentro pra fora damos um jeito de construir sistemas bem sólidos de auto-proteção e nos escondemos ao máximo do grande enfrentamento às grandes questões. Quem nunca? Quem nunca se acomodou na dor com medo da dor da derrota? Quem nunca esqueceu de buscar soluções e apenas se apoiou em dimensões cada vez mais complicadas, com medo de alimentar esperanças, esquecendo de vez a capacidade da mudança e do milagre?
É preciso muita coragem pra continuar vivendo... Perder e continuar cantando, saber esperar a hora da vitória permanecendo na luta. Mas me diz, quem consegue, por suas próprias forças, viver na pior e possuir uma visão otimista da vida? Somente quem possui uma mente focada nas coisas essenciais. Nas lutas que verdadeiramente importam... No propósito de vida que chega a ser maior que as nossas próprias mediocridades.
Às vezes me sinto tão borboleta. Como se após uma vida difícil de lagarta, tivesse que enfrentar o casulo, dias escuros, de um processo demorado e árduo, nos quais o foco da mente fosse apenas a capacidade de ser bela e voar... Como se um pensamento positivo e cheiinho de esperanças sustentasse a capacidade de prosseguir... E ao findar o processo desgastante, doloroso e necessário... Enfim, livre! Bela! Solta!
...Durante um tempo inacreditavelmente curto.
Acredito que essa é a grande perspectiva para nossas vidas, neste mundo. Todos necessitamos da metamorfose em borboleta, ainda que nossas vidas sejam tão passageiras, e a grande vitória não seja apenas superar nossos processos, traumas e autopercepções. A vitória real é tão grande que não cabe em nossas mentes... É tão extraordinária que tentar entendê-la somente retardaria a nossa grande transformação. E será que todos nós seremos borboleta algum dia? Morrer no casulo seria ainda pior que morrer na vida de lagarta?

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pega leve.
sou sensível.