sexta-feira, 8 de julho de 2011

Não consigo mais escrever sem pensar no que não deveria. Não consigo mais ficar amiga das palavras, pois assim como uma visita inconveniente elas só vêm na hora errada, de maneira errada, trazendo consigo as coisas mais erradas possíveis. Não consigo mais escrever porque tem sempre alguém que quer entender as entrelinhas, sem acreditar que isto nem eu mesma consigo, a não ser se com a desculpa de ter psicografado. Sufocando com perguntas e exigindo justificativas. Não consigo mais escrever porque acho um absurdo, um insulto, a maneira como as palavras andam brincando comigo e zombando da minha incapacidade, da minha falta de contato com a amiga inspiração. 
Não consigo mais escrever porque de tanto me perder em mim, eu acabei encontrando o que mais temia... O meu lado obscuro. O lado que diz exatamente quem sou e o que eu não quero ver, o lado que não me permite mais se esconder por trás de palavras e em vez disso me força a usá-las como parte dessa experiência. 
Não é que consiga escrever... Eu simplesmente não quero, e ando evitando me deparar comigo mais uma vez. Droga, lá vamos nós novamente...

Ela chorava mais uma vez ao som de Circle of Error, e ao invés de se questionar se a vida era justa consigo mesma, agora as suas reflexões eram repletas de culpa e desprazer próprio. Havia nela uma espécie de Narcisismo às avessas, uma coisa parecida com bulling só que era pra dentro, vê que triste. E tudo isso apenas porque da vez que tentou não passar por cima de si mesma em alguma escolha, ela acabou montando num trator imaginário e amassando todos os seus amores de uma só vez. Vê que burrice. Agora, ela fazia o perfil da arrependida depressiva descontrolada e imatura, que mais uma vez na vida, não sabia o que queria nem se encontraria satisfação e realização em alguma de suas escolhas loucas. O que ela não entendia era que estava ouvindo as vozes erradas. Era preciso ouvir A voz. Mas ninguém conseguiu ir tão fundo no poço que furou, a ponto de fazê-la ouvir.


Deus me livre.

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pega leve.
sou sensível.