segunda-feira, 13 de junho de 2011

Motivação

Pelo prazer de escrever, repetindo palavras... Por aquela velha necessidade do gesto e coisa e tal. Às vezes criatividade ou inspiração. Mas ainda não aprendi a sentir Lispector, sorrir Cecília, desabafar Caio, racionalizar Bandeira, fingir Pessoa. Ainda sigo querendo aprender a ser poeta, visionária, profeta literária, qualquer coisa menos uma garotinha com um diário virtual na pontinha dos dedos, pelo amor de Deus. Nem aderir à essa melancolia barata, fabricada de tumblrs, a essa coisa de achar bonito ser triste e vazio de significados, presa a melodramas pré-adolescentes do tipo 'minha vida é ruim sim, e você não está nem aí', nada mais Welcome To My life (Simple Plan). 

É absurdo demais ver até que ponto pode chegar conflitos (pré)adolescentes mal resolvidos e transpassados para a internet. Ser melancólico não pode estar na moda. No mínimo estupidez ou imaturidade essa coisa de querer forjar melancolia virtual, primeiro por autopiedade, depois (mais ridículo ainda) por torcer que aquele príncipe protetor à la Cullen, vestindo camisas xadrez e repletos de palavras e declarações "fofas e clichês" leia seus desabafos maquinados, copiados e se apaixonar, pensar "que menina sensível e linda... quero ela pra mim". E assim serão felizes para sempre numa comédia romântica piegas da vida real. Fim.

Ainda sigo me apegando às palavras, querendo sentir cada tinta que desenha uma letra como o próprio sangue de minhas veias, correndo, cumprindo a sua função, não fazer separação entre mim e o papel, notar que parte de mim se transfigurou em letras e assim espalhar meus pedaços para quem interesse. Não pretendo escrever, vomitar, despejar palavras no papel e procurar as melhores concordâncias e frequências. Quero parte dos sentimentos em cada simples acentuação. Um gosto de realidade e sonho. Quero difundir essa paixão ao gesto no próprio gesto para que sinta queimar na lembrança parte do ardor. O ardor sem nome ou sobrenome, apelido, que me deixa feliz e extasiada quando percebo meus dedos a envolver uma caneta e apontar sugestivamente para um papel.

E essa coisa não fortalece nem atrai fraqueza, essa coisa funciona como o próprio piscar de olhos em sua naturalidade. Pelo prazer de ser confusão, presumo, continuarei tentando...

"(...) sou só um ser humano procurando um jeito de viver. E que talvez esse jeito seja escrever, sei lá." Caio Fernando Abreu

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sou sensível.