quinta-feira, 19 de maio de 2011

O Jardim Secreto


Ela pôde escolher os jardineiros que iam tomar conta desse jardim. Ou "o". E apostou todas as fichas no trabalho desse obreiro novo, com esperanças de que seu jardim pudesse ter um pouco mais de vida. E, até então, não sabia o quão difícil era trabalhar nesse jardim, principalmente quando vinham as fortes tempestades. Como custava manter as flores bonitas e perfumadas! Mas de uma coisa ela não podia reclamar. Das borboletas. Eram dezenas, centenas, milhares! Dos mais variados tipos, das mais variadas famílias. E assim ia numa lita imensa de tentar manter esse jardim, passando por cima de todas as dificuldades de ordem natural e humana que apareciam.
Por isso mesmo nunca pôde pensar que pisariam em suas flores, nem que negligenciariam tanto trabalho árduo por míseras coisas. Cega, rejeitando todo tipo de ajuda, rejeitando o auxílio de quem, talvez, realmente pudesse ajudar. E agora? Agora ele arranjou um espaço para trabalhar em outro jardim, e continuava sem saber o que fazer com o seu. Cercadas de pétalas despedaçadas, flores murchas... Tudo se partindo, partindo... Que jardim mais sem vida, sem graça. Enquanto sozinha, inutilmente, ela tentava pôr ordem em toda bagunça, focava-se num futuro que ela não consegui acreditar totalmente, porém era sua única razão para prosseguir. O jardim iria sobreviver, não importa como. Não importa qual o jardineiro. A magia era manter esse jardim vivo, pelos mais variados cuidados.
E se viesse de novo alguma tempestade, ou até mesmo um furacão, não era o que importava. Mas sim a sua determinação, sua capacidade de olhar as flores rasgadas, despedaçadas, a grama dilacerada, tudo fora de ordem e ainda assim acreditar que é possível arrumar a bagunça.
Mãos à obra...

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pega leve.
sou sensível.